A Fake News no Condomínio

Publicado em 14/11/2018 - Editado em 07/03/2019 | Comentarios > ver comentários

Ao contrário do que muitos pensam a fofoca não é somente o comportamento de falar ou espalhar notícias falsas, é também a prática de divulgar informações verídicas, porém sem o consentimento dos envolvidos. A fofoca, uma prática rotineira de interação social e de inquestionável atração avançou, estando (como não poderia deixar de ser) dentro dos condomínios. Em muitos momentos com forte impacto na gestão administrativa, quando atinge a figura do síndico, subsíndico e outros membros do corpo diretivo, onde uma informação, sem a devida verificação, pode ter força para mudar os rumos da história de um condomínio.

O perigo ganhou outros contornos com a proliferação das redes sociais onde uma onda de boatos e informações sem comprovação são manipuladas por pessoas ou grupos, com o claro objetivo de tumultuar ou mesmo derrubar uma gestão administrativa. É o surgimento na comunidade condominial das famosas “fake news”. Uma expressão inglesa de origem no final do século XIX, que se tornou popular para denominar falsas informações que são divulgadas em redes sociais.

As fake news podem ser usadas por inúmeros motivos. Invariavelmente elas exploram no início as insatisfações dos condôminos e moradores pulverizados na expressão de múltiplos sentimentos. O síndico ocupa lugar de destaque nessas insatisfações, principalmente quando, acomodado no cargo, conta com a inércia dos moradores. A estratégia nesse caso é potencializar as possíveis dificuldades dos condôminos e moradores em compreender como é administrado o condomínio, e as deficiências de comunicação do grupo gestor. Aos poucos o síndico vai sendo sabotado tornando-se uma figura sem capacidade de influência, apesar da legitimidade alcançada durante a sua escolha em assembleia geral comprometendo os propósitos traçados.

A omissão de uma parte dos condôminos e moradores, e o compartilhamento de outros, de informações sem a devida verificação, acaba fortalecendo o “poder” e emprestando, mesmo que não seja a intenção, credibilidade aos boatos que poderá levar ao estrangulamento do corpo diretivo e consequentemente à sua queda.

É muito comum misturar as notícias falsas com as verdadeiras induzindo os condôminos e moradores ao erro, tornando os esclarecimentos extremamente complexo. O desafio imposto ao síndico para combater as fake news é tentar a conscientização dos condôminos e moradores no sentido de participarem com maior frequência nas reuniões informais e assembleias, tendo como princípio básico além da transparência, a clara intenção de corresponder às expectativas da massa condominial no campo da segurança, respeito, reconhecimento da importância do indivíduo, e aplicação de novos métodos na administração do condomínio.

Recomendamos a todo aquele ou aquela que tenha dúvidas, muitas delas alimentadas com as fake news, que procure conversar com o síndico e o corpo diretivo marcando uma reunião para averiguação de qualquer documento ou esclarecimento das informações. Quem pode e fala oficialmente pelo condomínio é o poder executivo, fiscalizador ou consultivo.

As ondas de transformações, sejam positivas ou negativas, atingem todos os segmentos sociais. O condomínio, o síndico, e seu corpo diretivo devem estar preparados para enfrentar todas as situações. Para toda doença sempre há uma busca de tratamento que possa recuperar a saúde do organismo ou atenuar os efeitos. No caso das fake news o tratamento passa pela educação e pelo entendimento sobre como e onde nasce a produção dessas informações.

No período que antecede as assembleias, principalmente as ordinárias que envolvem a eleição do síndico e dos demais membros do corpo diretivo, é comum informações serem virilizadas em redes sociais.

Os grupos que criam e alimentam essas redes com fake news usualmente geram chamadas bombásticas com textos provocativos. Tente identificar as pessoas envolvidas e o que as motiva, e se o conteúdo das informações pode ter um fundo de verdade. As fake news trabalham com as emoções ou crenças das pessoas falando objetivamente sobre o que as abalam e acreditam.

De todo modo o condomínio deve estar preparado para conviver com mais uma onda digital. O fundamental é a construção de um trabalho sério e profissional diluindo sobremaneira o impacto das fake news, pois ao contrário dos patrocinadores desses grupos, os demais condôminos e moradores não vão se seduzir por "qualquer informação".

 

 

Comentários


O que outros visitantes estão vendo agora

O que outros visitantes estão vendo agora

Menu

A negligência na guarda de documentos

É obrigação do síndico guardar os documentos...