Condomínio pós pandemia

Publicado em 06/08/2020 - Editado em 06/08/2020 | Comentarios > ver comentários

Os condomínios lentamente começam a flexibilizar o uso das suas áreas comuns, muito embora seja um fato o risco de uma contaminação ainda estar presente.

Há uma corrida frenética dos laboratórios farmacêuticos em busca de uma vacina contra o COVID-19, como única alternativa conhecida para retomarmos a rotina das nossas vidas com segurança.

Mas até lá, como fica a rotina nos condomínios? Vamos adotar uma mudança de comportamento incorporando hábitos salutares de respeito para com os vizinhos? Colaborar efetivamente com o síndico seguindo as orientações e comunicados passados pela administradora de condomínios?

Porque uma certeza há: A vida após essa onda não será mais a mesma. É forçoso reconhecer que haverá um novo normal com desafios a serem enfrentados.

Como foi necessário passar mais tempo dentro das casas e apartamentos respeitando, mesmo a contragosto, as restrições de uso de espaços comuns, houve um aumento nos conflitos domésticos com agressões às mulheres, e atrito entre os moradores por diversos assuntos. Sendo o principal deles o barulho em horários não permitidos pelo regimento interno, ou prejudicando o trabalho Home Office.

A resolução e conciliação entre os condôminos e moradores tornou-se um diferencial de grande importância entre os síndicos e administradoras que ao longo do tempo adquiriram bagagem e expertise.

Em meio à pandemia, um dado pode ter escapado ao olhar atento do síndico e da sua equipe de colaboradores. O lixo descartado pelos moradores. Em decorrência da permanência em isolamento das pessoas, houve um aumento de serviços de entrega de alimentos, embalagens, caixas, material plástico e toda ordem de detritos, obrigando o condomínio a ter espaços e recipientes de armazenamento, e uma dedicação especial para a coleta seletiva e para o lixo daquelas unidades onde haja alguém infectado.

A Lei emergencial e transitória 14.010/2020, apesar da discussão que gerou, trouxe aspectos merecedores de uma análise. Um deles é sobre as assembleias virtuais. O síndico com apoio da administradora coloca a disposição da gestão uma ferramenta tecnológica para a aprovação de pautas importantes.

Esse recurso contribui para combater um dos piores males do condomínio: A baixa presença dos condôminos. Mas há aqueles que defendem a forma presencial, não dispensando o olho no olho e os gestos que podem definir um voto.

É a primeira vez que enfrentamos uma situação grave e atípica com impacto nos condomínios, exigindo dos síndicos e dos profissionais uma capacidade rápida de adaptação para tomada de decisões.

Pensando assim, o aproveitamento de pontos da Lei emergencial e transitória, aprovados em assembleia geral com um quórum qualificado, seria uma decisão inteligente e eficaz para qualquer condomínio, dentro das suas próprias características.

O síndico diante de tantas normas e obrigações foi atingido em cheio por uma pandemia que o forçou na maioria das vezes a tomar decisões que desagradaram à comunidade condominial. Principalmente abrindo espaço para os opositores de plantão.

Diante da probabilidade de outras ocorrências emergenciais, os condôminos como medida razoável, deveriam conceder ao síndico uma ampliação dos seus poderes, condicionados ao período de exceção.

Aprovar um rol de medidas para oferecer segurança e proteção, principalmente envolvendo protocolos governamentais. As decisões devem conferir legitimidade aos atos praticados pelo síndico, pois foram aprovadas pela maioria dos condôminos reunidos em assembleia geral devidamente convocada, com quórum especial, enquanto perdurar a emergência.

É claro que fica assegurado ao condômino descontente, recorrer das decisões em outra assembleia, ou procurar a satisfação da sua demanda na justiça.

O síndico bem assessorado por uma administradora de condomínios e, competente, sabe que há instrumentos para restringir o uso das áreas comuns. E o condômino ou morador deve ter consciência que os deveres impostos podem ser severos, aprovados e especificados na convenção e regimento interno.

O momento da pandemia deve servir de motivação para aquele que é ou pretende ser síndico. O cargo confere a possibilidade de entender os desejos da comunidade em relação à segurança, tranquilidade, e constante valorização do bem comum.

 
 

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