O "bullying" no condomínio

Publicado em 04/09/2019 - Editado em 04/09/2019 | Comentarios > ver comentários

Mas é possível “bullying” no condomínio? Não ocorre somente nas escolas?

Ao contrário do que muitos imaginam, essa prática pode ocorrer em qualquer lugar onde há relações interpessoais, e o condomínio não poderia ficar de fora desses ambientes.

Encontramos em diversas mídias, palestras e cursos, a afirmação taxativa que aos condôminos e moradores cabe o consagrado direito de reclamar e se contrapor à gestão do síndico. O que é um fato para o qual não cabe contestação!

Aconselham que as queixas sejam feitas com cordialidade, procurando em todo momento dialogar em alto nível não somente com o síndico, mas com os membros do corpo diretivo e administradora, se for o caso. Perguntamos: quantos fazem isso?

Que as ideias e planos sejam no sentido de cooperar na busca de soluções para os mais diversos problemas e situações do dia-a-dia do condomínio. É a aplicação do princípio da solidariedade entre condôminos, matéria em um dos nossos blogs.

Invariavelmente as orientações de alguns especialistas da área partem daquele clichê que os conflitos nos condomínios nascem em gestões com perfis “ditatoriais”. Como se diz no popular em relação ao síndico e seus colaboradores: “eles não querem largar o osso!”.

O interessante ao pesquisar e estudar o comportamento nos condomínios é observar nas assembleias onde irão ser eleitos os futuros síndicos e membros do corpo diretivo, poucos, ou nenhum interessado em concorrer aos cargos, principalmente o de síndico. Qual será o motivo?

Os contrários, na hora e local apropriado, são omissos ou incapazes de agir concorrendo em pé de igualdade contra um modelo de gestão que afirmam ser “ultrapassado e opressor”.

Preferem as tradicionais práticas do “ouvir dizer...”, espalhando boatos ou inverdades que se multiplicam em uma escala vertiginosa nas redes e grupos sociais. Em algumas situações específicas, contando com a assessoria de profissionais somente interessados no fechamento de contratos.

Recebem toda ordem de orientações e acompanhamento em reuniões, contribuindo para a divulgação aos condôminos e moradores da “falta de portas abertas” ou “pontes de comunicação para obtenção de respostas para seus anseios e clamores”.

Muitas vezes falta a esses profissionais uma investigação prévia procurando ouvir todos os lados antes de extrair um juízo de valor para nortear suas ações. Conhecer a história de um condomínio e suas características próprias é fundamental para bem orientar correções de rumos e traçar estratégias.

O comportamento deletério desses grupos que se sentem fortalecidos pelo apoio dessas assessorias, geram graves situações dentro do condomínio podendo desaguar no chamado “bullying”; termo em moda onde o síndico e os membros do corpo diretivo padecem da dor e angústia, da intimidação, ou até mesmo de agressões.

Os casos estão se multiplicando com muita velocidade. Felizmente já há disponível um serviço de amparo e proteção para as vítimas, recebendo as denúncias sem custo nenhum.  Para tanto, basta aos interessados reunir provas e testemunhas da prática de “bullying”.

 A consumação da prática pode ser por meio de celular, internet, envio de mensagens ou imagens, envergonhando, ameaçando, zombando, manifestando ódio, ou fazendo circular informações falsas. Fatos que poderão levar seus autores a responderem e serem punidos.

Infelizmente quando a semente da discórdia brota no condomínio, espalhando o desejo do “impeachment” do síndico e a saída dos membros do corpo diretivo, parece ser uma situação incontornável. O que acarreta inevitavelmente a eleição desses grupos como objetivo final.

De nada adianta nessas circunstâncias todo o esforço do síndico em fazer circular comunicados, dar pronta resposta as críticas e sugestões, exibir pastas, documentos e contratos.

Nesses momentos prevalece à máxima falsamente atribuída a Maquiavel de que “os fins justificam os meios”. Afinal, as novas “conveniências” e os novos “interesses” políticos precisam ser satisfeitos. E essa situação existe para o bem ou para o mal neste universo chamado condomínio.

Mesmo assim é bom conceituar que o “direito” significa o que é reto, o que não se desvia, segue uma mesma direção, sendo possível concluir que é tudo aquilo em conformidade com a razão e a justiça. Pensando assim, não é razoável achar que os objetivos visados por esses grupos sejam o de alcançar a verdadeira justiça.

Todavia, o síndico e os membros do corpo diretivo devem estar conscientes que ao assumir os cargos serão alvos prediletos dos insatisfeitos. Cabendo a eles exercerem seus mandatos dentro dos princípios e parâmetros legais.

Quando se ultrapassa o limite do bom senso, o chamado abuso de direito é exercido por esses grupos de modo agressivo, rancoroso e cheio de acusações.

Muito se fala e escreve sobre “direitos”. A mídia exaustivamente aborda esse assunto. Os especialistas da área de condomínios, entre eles aqueles que muitas vezes ao lado desses grupos exigem e pregam o “direito” de reclamar, não avaliam adequadamente as consequências.

Pouco ou nada se diz que a todo “direito” deveria implicar necessariamente um “dever”. Aquela situação que coloca a pessoa diante da sua obrigação de cumprir com algo, dar ou restituir alguma coisa, fazer ou não fazer algo.

Dentro do estudo e pesquisas de casos práticos não é difícil identificar nos condomínios aquelas histórias onde grupos opositores acusam síndicos de práticas financeiras duvidosas, imputando-lhes falhas detectadas em auditorias e apresentadas aos condôminos em circulares, publicações em redes sociais, chegando até as assembleias. Porém, sem abrir espaço adequado e democrático para a devida resposta.

Felizmente para todo ato sempre há a possibilidade de poder contar com o bom senso daqueles que buscam a verdade, ou mesmo com a justiça equilibrando a balança. Assegurando ao síndico desrespeitado e debochado, a garantia de mostrar quaisquer documentos e os fatos pela ótica da sua gestão administrativa, podendo conceder-lhe, se assim couber, indenização nos mesmos parâmetros e valores da acusação sofrida, além do dano material, moral ou à sua imagem afetada.

Não cabe oposição à verdadeira e legítima liberdade da manifestação de qualquer pensamento e expressão ou organização de grupos. Contudo, que esse exercício democrático fundamental, seja realizado por todos os envolvidos com total transparência, assumindo responsabilidades.

A construção da história de um condomínio, em determinados momentos, passa por turbulências e agitações. Faz parte do exercício e amadurecimento das relações interpessoais entre os condôminos e moradores. O que não pode ocorrer é o desrespeito desmedido descambando para a falta de civilidade e urbanidade. 

 

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