Pessoas difíceis no condomínio

Publicado em 11/09/2020 - Editado em 11/09/2020 | Comentarios > ver comentários

Cruzamos todos os dias com pessoas difíceis, seja no ambiente de trabalho, nos estudos, na família, entre colegas e amigos, e no próprio condomínio. Essas pessoas possuem a estranha capacidade de complicar e amplificar os fatos mais corriqueiros por onde passa.

No condomínio reclamam de tudo e de todos, descarregando suas frustrações sobre os vizinhos, elegendo como de costume a figura do síndico como seu principal alvo, responsabilizando-o por tudo que julga estar errado.

Quer atenção especial por parte da administradora. Exige respostas rápidas do síndico sobre qualquer demanda, das mais simples as mais complexas. Tenta sabotar a confiança dos demais no trabalho do síndico, envolvendo até o Corpo Diretivo.

Normalmente nomeiam procuradores para representá-los nas assembleias alegando ter compromissos inadiáveis ou dificuldades para participar. Mas são os primeiros a disparar críticas um dia após o evento.

Mas o que fazer para conviver com essas pessoas? E quais atitudes tomar em situações insuportáveis?

O síndico deve ter consciência do seu grau de tolerância procurando apoio de pessoas especialistas antes de tomar qualquer atitude. Essa estratégia ajuda para acabar ou atenuar os efeitos dessa convivência. Até porque, algumas dessas pessoas estão na comunidade como proprietários, exercendo seus plenos direitos como tal. E nesse aspecto não é razoável supor que o síndico poderá no exercício do mandato não estabelecer um mínimo de contato com essas pessoas.

Infelizmente não podemos afastar as situações onde as ofensas acabem em agressões físicas tentadas ou consumadas onde a convivência torna-se perigosa exigindo medidas legais.

Tudo que estiver ao alcance da gestão administrativa fazer em nome da normalidade e a paz no convívio entre os condôminos e moradores deve ser praticado. Em casos graves contra o síndico, seu grupo gestor, ou qualquer outra pessoa, deve-se de imediato procurar o apoio jurídico. Mesmo que esteja em discussão direito de propriedade, um juiz com base em provas concretas poderá afastar do convívio com os demais aquela pessoa considerada antissocial, preservando os direitos do agressor em relação à sua propriedade.

O síndico não deve ficar o tempo todo justificando seus atos trocando e-mails, conversando por telefone ou celular, ou mesmo entrar em discussões estéreis em grupos de WhatsApp. Isso é exatamente o que essas pessoas esperam que o síndico faça.

O síndico deve ter como parâmetro o seguinte:

- Respeitar o Código Civil, a Lei 4.591/64, e as resoluções que afetem o condomínio;

- Aplicar a Convenção, Regimento Interno, e as determinações aprovadas em assembleia;

- Representar o condomínio ativa ou passivamente, e naquilo que atenda ao interesse da maioria dos condôminos.

O síndico que segue esses parâmetros está vacinado e imune contra as maledicências das pessoas difíceis, mas mesmo assim, deve buscar compreender o comportamento delas; o que não justifica aceitação ou submissão.

O condomínio por sua formação estrutural e características próprias, aproxima pessoas de diversas personalidades que podem não afinar com nossas crenças, valores e opiniões. Nesse caso os condôminos e moradores podem contribuir muito com a tranquilidade da comunidade observando e identificando as chamadas pessoas difíceis que apresentam certas características:

- Gostam de impor ideias sem entender os assuntos, exigindo soluções que lhe satisfaçam;

- Passam seu tempo buscando “falhas” e reclamam de tudo que atrapalhe seu modo de ver as coisas;

- Não assumem seus erros e transferem suas frustrações para outros;

- São agressivas e tentam intimidar, principalmente mostrando conhecimento e formação acadêmica, ou qualquer suposto apoio de autoridades;

- Desprezam os sentimentos e as necessidades dos outros demonstrando extrema incapacidade de relacionar-se;

- São pessoas ansiosas e tentam tirar proveito próprio sobre os erros de terceiros. Sugam a energia de todos a sua volta;

- Bloqueiam regras e não acatam ordens. Não demonstram nenhum grau de inteligência emocional.

Diante de pessoas com uma ou várias dessas características assuma a postura de não abrir mão da sua felicidade; identifique seus limites; não aceite provocações, e se possível, peça para a pessoa examinar os próprios atos; tente enxergar pontos positivos; preste atenção na linguagem corporal; procure se conhecer para ser compreensivo, e nunca leve para o lado pessoal e tenha empatia.

Rosely Schuartz que presta consultoria voltada para avaliação de desempenho da gestão condominial afirma: “cada membro do grupo possui suas próprias aspirações que muitas vezes diferem das dos outros”. E que fazem parte das forças negativas “os maus hábitos, as angústias, as frustrações, as inibições e os medos, as experiências malsucedidas, a falta de interesse pelo grupo e seus objetivos”. Além de fazer parte dessas forças “os desejos ocultos, por exemplo, obter vantagens pessoais”. (Fonte: Revolucionando o Condomínio. Editora Saraiva).

Para encerrar fica a citação de Mahatma Gandhi: “A diferença entre o que fazemos e o que somos capazes de fazer resolveria a maior parte dos problemas do mundo”.

 

 

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