Por que o WhatsApp é considerado o inferno no condomínio?

Publicado em 28/10/2020 - Editado em 28/10/2020 | Comentarios > ver comentários

Há um consenso entre os especialistas, advogados, administradores, estudiosos e pesquisadores, de que a ferramenta virtual WhatsApp que oferece a oportunidade de criação de grupos, sejam eles familiares, de trabalho, e agora nos condomínios, estão na sua maioria, servindo muito mais para desagregar e pouco ou nada contribuindo na união da comunidade para auxiliar a gestão administrativa na busca de soluções dos problemas.

E por que uma ferramenta virtual que possui todos os ingredientes para aproximar e remover distâncias causa tanto aborrecimento? Porque envolve o comportamento humano. Passa por uma discussão de fundo e não de meio. De saber qual é o espírito que anima as mensagens que não se confundem com as ferramentas de redes sociais desenvolvidas. Não podemos e não devemos remar contra a maré do avanço tecnológico.

No entanto, um vício contamina esses grupos que nascem “cheios de boas intenções”, mas que com o passar do tempo são dominados por uma forte tendência em discutir as situações com foco somente nas críticas; obviamente no caso dos condomínios todas elas voltadas para uma única pessoa e no que ela deveria ou não fazer. O síndico.

O condômino deve ter por princípio na comunidade que escolheu para viver com a sua família, ajudar nas tarefas, contribuir colocando-se a serviço de todos. Muitas vezes o seu conhecimento em muito pode auxiliar a gestão administrativa apontando caminhos e soluções. Mas o que percebemos é exatamente o oposto. Os chamados “problemas” na ótica de alguns ganham uma dimensão enorme ficando distante de uma solução eficaz.

Falta a determinadas pessoas o que os especialistas em comportamento humano costumam definir como a incapacidade de ver as dificuldades pelo ângulo do outro. No condomínio, não se colocar na posição do síndico, do corpo diretivo, do zelador e demais colaboradores, sobrando sempre um dedo apontando para o que deveria ser feito. E quando não atingem seus propósitos, incentivam a discórdia esparramando informações inverídicas.

Sobre esses grupos de WhatsApp, quantas mensagens podemos identificar com o comportamento abaixo:

“Ao andar pelo condomínio, tenho visto equipamentos e móveis sem manutenção. Imagino que o síndico não deva ter visto ou não foi avisado pelo zelador. Se o problema é dinheiro, vamos aprovar um fundo para essas despesas e treinar melhor o zelador. Fica aqui o meu registro como um alerta para colaborar com a gestão.”

O fato relatado retirado de uma situação real expõe de forma clara dois problemas: Falta de manutenção e descuido do zelador. E duas sugestões: A criação de um fundo específico para realizar os reparos mantendo os equipamentos e móveis em condições de uso, e oferecer um treinamento ao zelador.

Infelizmente atitudes proativas como essa são raras, predominando aquelas que nada acrescentam, afastando e gerando cisões insuperáveis. Os condôminos esquecem que a valorização do condomínio também passa pela imagem do local, tanto física, bem como dos comportamentos e relacionamentos. Que aquele que é massacrado hoje, amanhã estará na qualidade de massacrar, num labirinto sem fim. Quando a comunidade acordar para essa realidade, muito se terá perdido, inclusive financeiramente.

Os grupos de WhatsApp não dão trégua, as mensagens camuflam múltiplos interesses. Vão desde aquelas que desejam vender suas unidades, portanto, exigem melhorias que facilitem a negociação. Passando por outras que querem alugá-las, e um condomínio com ótima maquiagem contribui para o trabalho dos corretores. Mas não podemos esquecer os que alimentam o sonho de derrubar a gestão por ter sido atingido em suas expectativas, ou mesmo por não “ir com a cara do síndico.”

Os condomínios de um modo geral possuem como suporte ao síndico os serviços de uma administradora e um escritório jurídico. As necessidades estão fazendo com que outras duas figuras venham somar esforços na gestão condominial. São elas: um engenheiro para acompanhar obras e manutenções de vulto, e um profissional especialista em comportamento humano e social para mediar conflitos, oferecer palestras e orientações.

Os críticos e administradores desses grupos nas redes sócias consideram que os “erros” somente são dos outros. Se o condomínio seguisse, melhor, se o síndico seguisse a opinião desses críticos, o reino da perfeição em um passe de mágica se instalaria, e todos seriam felizes para sempre!

Esses grupos agem como o flautista encantador. A história real não uma lenda do povo de uma cidade infectada de ratos que contratou um encantador que ao tocar sua flauta libertou a cidade dos animais em troca de uma paga. Infelizmente o desdobramento e final da história não foi o desejado.

Antes de aceitar os encantos desses grupos que brotam cheios de “bons propósitos”, procure, em primeiro lugar, respeitar aquele que foi eleito para representá-lo. Conheça sua história e trabalho no condomínio, o que o motiva a tomar decisões. Se achar que pode contribuir, então faça o seu melhor.

Colaboração não significa abrir mão do seu direito de apontar o que entende estar errado. Contribuir é não difamar, achincalhar, desrespeitar e humilhar o síndico e aqueles que ficam ao lado dele. É não ser covarde agindo com maldade e se escondendo no meio de um grupo virtual destilando o seu veneno.

Leia e estude sua convenção e regulamento interno; tenha em mãos o memorial descritivo da construtora para não esbravejar quando o síndico alertá-lo que determinada obra ou reforma em sua unidade não pode ser feita à sua maneira e desejo. Querer que o síndico, sem fundamentação, intervenha em assuntos fora da sua competência.

Quando o grupo de WhatsApp não for criado pelo síndico, até porque não é um canal oficial do condomínio não podendo gerar efeitos, os administradores devem procurar criar um “Código de Conduta” e exigir dos participantes o respeito às regras:

- O síndico deve ser informado que foi criado um grupo que assumirá o compromisso de fiscalizar as postagens;

- Que as críticas e assuntos postados guardarão relação ao modo de administrar o condomínio, usando o bom senso e respeito à convenção, regulamento interno, e as decisões de assembleias;

- Será acatado o fato de que os canais oficiais de comunicação do condomínio são: os informativos feitos pela administradora e síndico, e-mails, livro de reclamações e sugestões, e contatos diretos com o síndico;

- O cadastro de condôminos e moradores, em hipótese alguma, será fornecido para facilitar a inclusão de ninguém, ficando sob a guarda do síndico e da administradora em respeito à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados);

- Ter o cuidado em postar ou publicar qualquer coisa que possa comprometer a segurança do condomínio. Evite fake news muito em moda, ou notícias de procedência duvidosa;

- Estabeleça que todo aquele que procurar gerar intriga ou estimular discussões desvirtuando o objetivo do grupo, será automaticamente excluído. O livre pensar e manifestar opinião não casa com ofensas;

- Procure ao escrever e postar fotos e comentários, se colocar na posição do outro.

Condomínio por definição é uma propriedade onde o seu exercício deve ser compartilhado na medida da fração ideal que cabe a cada condômino. Já que é assim, utilize as ferramentas virtuais para somar esforços em defesa do bem comum. Não incentive ou patrocine a discórdia, principalmente quando ela for injusta. Avalie os interesses e as intenções.

Reflita sobre isso: “Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê.” Monteiro Lobato.




 

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