Respeito pelos animais

Publicado em 23/10/2020 - Editado em 23/10/2020 | Comentarios > ver comentários

Esquecemos como os bichinhos são importantes em nossas vidas e achamos de forma egoísta que eles devem suprir todas as nossas necessidades, sejam elas de segurança ou de carências de toda ordem. Contudo, o animal também possui suas características para o qual o dono deve estar atento e preparado para atendê-lo. Não basta somente alimentá-lo, deve integrá-lo a uma rotina doméstica diária.

Os costumes mudam, e em termos de condomínios a presença dos animais domésticos provocou um substancial avanço. Muito embora ainda seja possível identificar em convenções e regulamentos internos, dispositivos que proíbem a presença de qualquer espécie de animais nas unidades privativas.

Ocorre que de uma forma ampla, a jurisprudência vem pacificando o entendimento de que a presença do animal no ambiente doméstico é salutar em todos os aspectos, desde que não prejudiquem a saúde, sossego e a segurança dos demais moradores.

O importante para o condomínio é possuir uma convenção e um regulamento interno atualizados com os novos costumes, regrando por onde os bichinhos devem circular, se somente do elevador para a portaria com o uso de focinheira a depender da raça do animal, com uso obrigatório de coleira para todos independentemente do seu porte, se podem usar o elevador social ou circular por determinados espaços, e como agir diante dos dejetos feitos nas áreas comuns, e o tratamento que se deve dar ao barulho e ruídos provocados pelo animal no interior das unidades.

O dia do síndico em algumas circunstâncias passa por tentar resolver o que fazer em relação aos animais que passam o dia inteiro sozinhos, inclusive nos finais de semana e feriados; e até que ponto tolerar essas situações que afetam os vizinhos com barulhos indesejáveis.

As pessoas na posse de animais fazem uma confusão sobre o que seja abandono. Acreditam que esse comportamento só é praticado quando se larga os animais em ruas, praças e terrenos baldios. E o que é mais cruel nesses casos: aqueles que estão velhos e doentes jogados a própria sorte.

Porém, abandono também se configura quando sem refletir nas consequências, deixamos o animal na unidade por longos períodos, causando com isso sofrimento emocional ao mesmo, e um enorme problema para os vizinhos e o síndico que será chamado para intervir.

Esses donos são aqueles que chamados a tomar uma providência, alegam na maioria das vezes, não terem com quem deixar o animal na sua ausência, seja por motivo de trabalho, seja nos finais de semana e feriados. É o típico comportamento insensível e irresponsável atingindo todos os interessados, inclusive o próprio animal (Veja no blog: Os egoístas no condomínio).

Esses animais passam horas, confinados e sozinhos, prejudicando o sossego alheio. Latem, uivam, ou arranham a porta da unidade quando sentem a presença de pessoas no hall. Além daquelas situações onde se soma a presença de odores que incomodam vizinhos.

O síndico como sempre, deve ter muito jogo de cintura para lidar com essas situações, procurando não aplicar cláusulas não aceitas pelos juízes, ou mesmo cometer um ato considerado abusivo e constrangedor exigindo que os animais sejam transportados no colo nas áreas comuns até a sua saída do condomínio.

São situações caracterizadas como práticas ilegais, principalmente proibir a presença nas unidades de animais em função da sua raça e porte.

Todas as situações podem ser resolvidas se houver um mínimo de disposição para o diálogo e mudança de atitude. Caso contrário, é seguir os procedimentos adotados pelo condomínio e sua gestão administrativa: aplicar advertências, notificar, multar, ou entrar com ações em defesa da paz e tranquilidade de todos. Para tanto, há uma legislação a disposição para fundamentar os pedidos.

Nas situações gravíssimas de abandono e maus-tratos, ou quando o animal estressado provocar barulhos e ruídos insuportáveis, ou mesmo venha a atacar pessoas, o síndico ainda poderá se socorrer de ONGS protetoras dos animais que possuem um vasto campo de conhecimento técnico para atuar e dar apoio ao síndico e ao condomínio.

Tendo em vista os problemas aqui comentados, diante do desejo de ter um bichinho em unidade condominial, é hora de agir para cuidar adequadamente dele:

- Agitado ou não, todos os animais possuem suas necessidades, costumes e hábitos próprios da sua raça;

- Respeitar o bichinho oferecendo espaço adequado e adaptado na casa ou apartamento;

- Especificamente no apartamento, oferecer conforto estipulando os lugares de descanso, de alimentação, e para fazerem suas necessidades;

- Fortalecer os laços de educação compreendendo que o animal responde a comandos e conhecem muito bem os seus donos;

- Não trate o animal como se criança fosse. Evite ao ausentar-se ou quando retornar após longos períodos, brincar ou pronunciar frases que o animal associa ao tempo em que ficou sozinho. Isso só causa o aumento do estresse, ansiedade ou distúrbios psicológicos;

- Evite descarregar a todo custo raivas ou neuroses sobre o bichinho. Que em situações graves desenvolvem doenças crônicas como depressão, queda de pelagem, automutilações e o surgimento de tumores;

- Para o cachorro de qualquer raça, crie a rotina de promover passeios. O animal além de aproveitar o momento para fazer as suas necessidades, que devem civilizadamente e educadamente ser recolhidos, se socializa com outros animais por onde passa;

- Desnecessário dizer que a visita regular ao veterinário, mantendo a vacinação em dia, demonstra não ser o dono omisso ou negligente nos cuidados, preservando a saúde dos demais moradores;

- Para os animais com características agressivas, adote o uso de focinheira além da guia;

- A tela de proteção nas sacadas e janelas é um excelente material para evitar acidentes fatais;

- Se for possível, utilize os serviços de adestradores e pessoas que passeiam com os animais. São ótimas opções para os bichinhos que ficam longos períodos sozinhos.

Francisco de Assis incentivava ter compaixão pelos animais. Dizia não ver neles, seres com menos direitos do que nós. E que são nossos irmãos. Não precisamos ser “santos” para compreender essas palavras.

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