O empoderamento da mulher no condomínio

Publicado em 26/10/2018 - Editado em 07/03/2019 | Comentarios > ver comentários

Até a bem pouco tempo atrás o condomínio sendo um reflexo da sociedade era um espaço onde predominava em suas atividades administrativas, operacionais, e de prestação de serviços, majoritariamente os homens. A mulher ocupava em menor escala o posto de sindicância, e na sua maioria, a função de auxiliares de limpeza, um posto de suma importância. Mesmo hoje com todo o avanço social e comportamental o desequilíbrio ainda persiste apesar dos dados estatísticos apontarem para uma maior participação do universo feminino no seguimento. Haja vista o crescente número de controladoras de acesso nas portarias orgânicas ou virtuais, seguranças, zeladoras, gerentes prediais, e toda gama de atividades no âmbito das terceirizadas e administradoras de condomínios. Podemos então concluir e afirmar que o “Empowerment” ou Empoderamento que pode ser definido como o fortalecimento dado à mulher objetivando sua segurança e autoconfiança para o crescimento pessoal e profissional chegou para ocupar lugar também no condomínio.

Conversando com a mulher no condomínio descobrimos que seu pensamento remete à ideia de nunca desistir mesmo tendo sua capacidade rebaixada. A mulher é mais organizada e comprometida, valoriza o trabalho em equipe, é mais perseverante e constante.  É capaz de pensar em longo prazo com facilidade de viver com apertos em tempos difíceis. É resiliente, aberta para ideias e aprendizado tornando-a naturalmente uma líder. Possui capacidade de ver o todo raciocinando e pensando pela intuição, equilibrando com maestria a sutileza e fragilidade, temperando com educação e delicadeza a relação com as pessoas gerando concórdia e acordos com baixo índice de conflitos.

Lamentavelmente a mulher ainda é obrigada no dia a dia a enfrentar desafios impostos por comportamentos machistas exigindo em todo momento a comprovação da sua capacidade e habilidade para ocupar o topo da hierarquia. Entre inúmeras conversas com as mulheres, destacamos uma em que a sua trajetória é o espelho do empoderamento.

“O síndico do meu condomínio, de repente e na calada da noite, abandonou o prédio com sua família sem nenhuma explicação. Fui convocada pela administradora de condomínios para uma Assembleia Geral e estávamos lá no salão de festas em meio à indignação geral e sem ter ninguém para assumir a gestão administrativa, quando levantei a mão e aceitei ser candidata. Obviamente foi um alívio para todos! E naquela hora, vários dos presentes disseram que me ajudariam; mas o tempo passou e acabei com poucos no auxílio da administração. O principal motivo que me movia era a preocupação com o meu próprio apartamento adquirido com muito suor e trabalho. O condomínio com cinco anos de existência apresentava inúmeras infiltrações e problemas estruturais, contratos com fornecedores que precisavam de atenção e revisão, uma inadimplência altíssima e consequentemente rateios extras para bancar as despesas. O zelador não gostava de receber minhas instruções, e os prestadores de serviços mal acostumados só queriam falar com ele. Alguns condôminos e moradores homens me desrespeitavam e tentavam me intimidar. Diziam pelos cantos que eu não iria mudar nada na administração do condomínio; e até comentários maliciosos da minha vida particular eram feitos. Apesar de tudo, levantei a cabeça, e não me dei por vencida, querendo fazer a diferença sem medo. Dei o meu melhor, organizei os contratos, diminui os gastos, resgatei a inadimplência e investi em melhorias que valorizaram o condomínio. Os olhares começaram a mudar e passado algum tempo fiquei mais confiante e forte. Aprendi a lidar com as pessoas e a não esperar muito delas. Depois de 10 anos ainda estou síndica; mas sem ilusão. Todo dia há algo novo, outros desafios, e com eles você vai crescendo, aprendendo e vendo saídas. Mulher dê o seu melhor! Siga as leis e as normas internas, cumpra e faça cumpri-las, seja exemplo e não “negocie” apoio. Seja forte! Críticas faz parte. Ouse e faça a diferença!”

A força feminina necessita continuar crescendo reafirmando o seu papel no desenvolvimento de todas as áreas da sociedade. A Assembleia Geral da ONU em julho de 2010 lançou o alicerce com os princípios do empoderamento da mulher para o qual destacamos dois pontos: “Tratar as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não discriminação”, e, “Promover a igualdade de gênero através de iniciativas voltadas à comunidade e ao ativismo social.”

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